Quando Não Estava a Gravar
May 12, 2007
Apago mais um cigarro, e o meu cinzeiro, adornado com a figura avermelhada de um oriental elefante, é um amontoado de fogos apagados. Assim é o meu coração, depois de essências consumidas e consumadas, perplexo de vidas pós morte. Bailem, fantasmas da noite, bailem, horrores do abismo. Depois, sempre assim, bebo-vos a tragos largos. Consumo o interior da vossa sobrevivência. Escuto o diabo à minha direita ornado da sua flauta.
Durmo e sonho. Acordo e alimento-me de música, ritmos, conversas. Alguém fala em mim, as palavras não me atingem. Eles não me podem ver, nem o potencial que cresce e que afirma a morte, o assassínio parece-lhes uma palavra do tempo. O assassínio, julgam, é uma palavra. As palavras não me atingem, e há, todavia, uma voz sempre presente, ela diria, se mentisse: “mentira”, imprimida em toda a teia informativa. Não, a vossa morte já não me seduz, a vossa morte não existe, e as vossas vidas são uma anedota.
Um adeus de quem nunca cá esteve.